Programa da CNBC no Times Brasil sobre transformação no mercado de trabalho e inteligência artificial

Quem Não Aprender IA Corre Risco de Ficar Desempregado — e o Que Você Pode Fazer Agora Para Não Ser um Deles

September 30, 2026•7 min read

A afirmação é direta e sem meio-termo: “Eu acho que tem grande risco de ficar desempregado.” Quem diz isso é Carlos Siqueira, sócio sênior da Korn Ferry — uma das maiores consultorias globais de gestão, liderança e remuneração —, ao ser questionado sobre o que acontece com os profissionais que não aprenderem a usar inteligência artificial.

Em entrevista ao Times Brasil, Siqueira disse que a IA deve redesenhar o mercado de trabalho em velocidade inédita e acelerar a transição de modelos baseados em cargos para estruturas mais centradas em habilidades. E ele não está falando de um futuro distante. Está falando agora.

Neste artigo, vamos analisar o que esse alerta significa para profissionais e empresas, quais funções estão mais em risco, o que fazer para estar do lado certo dessa transformação — e como as empresas que agirem agora podem transformar a mudança em vantagem competitiva.


O Mercado de Trabalho Está Sendo “Dissolvido e Reordenado”

A expressão que Siqueira usa para descrever o impacto da IA no mercado de trabalho é reveladora: “O impacto quase vai dissolver o mundo do trabalho e reordená-lo inteiro.”

Essa não é uma afirmação de que o trabalho vai acabar. É uma afirmação de que a forma como o trabalho é organizado, remunerado e avaliado está passando por uma reordenação profunda — semelhante à que a revolução industrial provocou no século XIX ou a reengenharia nos anos 1990, mas em uma velocidade muito maior.

Como Siqueira observa: “A realidade agora é muito maior, a velocidade é muito maior e a gente deve ver mudanças das mais radicais.” E aqui está o ponto-chave: a velocidade. As transformações anteriores do mercado de trabalho levavam décadas para se consolidar, dando tempo para que trabalhadores e empresas se adaptassem. A transformação impulsionada pela IA está acontecendo em anos — talvez meses.


Quais Funções Estão Mais em Risco

Para entender quais profissionais estão mais expostos ao risco que Siqueira descreve, é útil pensar em termos de tipo de tarefa, não de cargo.

A IA é particularmente eficiente em tarefas que são:

  • Repetitivas e padrão-driven: tarefas que seguem regras claras e se repetem com variações previsíveis — processamento de dados, categorizatão, triagem, resposta a perguntas frequentes

  • Baseadas em análise de grandes volumes de informação: leitura e síntese de documentos, comparação de contratos, análise de relatórios

  • De mediação e suporte: atendimento de primeiro nível, suporte técnico básico, agendamento

  • De criação de conteúdo padronizado: relatórios rotineiros, descrições de produtos, e-mails de prospecção

Isso não significa que os cargos que executam essas tarefas vão desaparecer do dia para a noite. Significa que profissionais que souberem usar a IA para fazer essas tarefas serão muito mais produtivos do que os que não souberem — e, portanto, serão preferidos pelos empregadores.


A Transição para Habilidades: O Novo Modelo de Trabalho

Siqueira descreve uma transformação profunda na forma como as empresas avaliam e remuneram seus colaboradores: a transição do modelo baseado em cargos para o modelo centrado em habilidades.

No modelo tradicional, a posição hierárquica e o título do cargo determinam a remuneração. No modelo emergente, o que importa são as habilidades específicas que a pessoa possui e a sua capacidade de aprender e aplicar novas competências rapidamente.

Para os departamentos de RH, essa transição cria um desafio real: os modelos tradicionais de comparação salarial ficaram defasados. “Quando a velocidade é muito grande, o desafio aumenta muito, porque você não tem referência”, afirma Siqueira. As empresas terão que criar instrumentos internos para avaliar a complexidade das novas funções e estimar remuneração a partir de cargos tradicionais comparáveis.


O Que os Profissionais Precisam Fazer Agora

O alerta de Siqueira não é um presságio de fatalismo — é um chamado para ação. E a boa notícia é que nunca foi tão acessível aprender a usar IA de forma prática e aplicada ao trabalho.

1. Comece usando IA no seu trabalho hoje

Não espere um treinamento formal. Comece a usar as ferramentas de IA já disponíveis — assistentes de texto, ferramentas de análise de dados, agentes de automação — nas tarefas do seu dia a dia. O aprendizado mais eficiente acontece na prática.

2. Identifique as tarefas que a IA já pode fazer melhor do que você

Honestidade intelectual é fundamental aqui. Quais partes do seu trabalho são mais rotineiras e repetitivas? São essas as que a IA vai dominar primeiro — e é aí que você deve investir em aprender a usar a tecnologia para ser mais eficiente.

3. Desenvolva as habilidades que a IA não consegue replicar

Julgamento estratégico, criatividade genuinamente original, gestão de relacionamentos complexos, liderança com empatia, negociação em situações ambíguas — essas são as competências que a IA ainda não consegue substituir e que continuarão sendo altamente valorizadas.

4. Aprenda a ser o “humano-no-loop”

O papel mais valioso no mercado de trabalho dos próximos anos não será o de quem faz as tarefas, mas o de quem dirige, supervisiona e melhora os sistemas de IA. Aprender a ser o “humano no loop” — quem revisa, ajusta e decide o que a IA produz — é uma das competências mais valiosas da era atual.


O Que as Empresas Precisam Fazer Agora

O alerta de Siqueira também se dirige diretamente às empresas. A transformação do mercado de trabalho pela IA não é algo que vai acontecer “no futuro” — ela já está acontecendo, e as empresas que não se prepararem vão enfrentar dois problemas simultâneos: perder competitividade para concorrentes que já usam IA e perder talentos para empresas que oferecem ambientes de trabalho mais modernos e estimulantes.

As empresas que querem estar do lado certo dessa transformação precisam:

  • Investir na capacitação dos colaboradores em IA — não como um treinamento opcional, mas como uma prioridade estratégica

  • Identificar quais processos já podem ser automatizados e começar a implementar a automação com estruturas validadas

  • Redesenhar os cargos para refletir a nova realidade: menos tarefas repetitivas, mais decisões estratégicas

  • Criar uma cultura de aprendizado contínuo, onde experimentar com novas ferramentas de IA é encorajado, não temido


A Oportunidade Para Quem Age Agora

O mercado sempre premiou quem se antecipa. Quando a internet chegou, os profissionais e empresas que aprenderam a usá-la antes dos concorrentes dominaram suas áreas por anos. A história se repete agora com a IA.

Para o profissional que aprende IA agora, a oportunidade é enorme: maior produtividade, maior valor percebido pelo mercado, acesso a funções mais estratégicas e melhor remuneração. Para a empresa que implementa IA agora, a vantagem é igualmente significativa: operações mais eficientes, custos menores, capacidade de escalar sem aumentar proporcionalmente o time.


Conclusão: O Mercado de Trabalho Está Sendo Reordenado — De Que Lado Você Vai Estar?

O alerta de Carlos Siqueira da Korn Ferry é claro: quem não aprender IA corre risco real de ficar desempregado. Mas a mensagem por trás do alerta é ainda mais poderosa: quem aprender IA e souber aplicá-la nos processos do seu trabalho e do seu negócio vai estar em uma posição de vantagem única — e duradoura.

O mercado de trabalho está sendo dissolvido e reordenado. Você tem a escolha de ser reordenado de forma passiva ou de se posicionar ativamente do lado certo dessa transformação.


Quer Usar IA de Forma Estratégica no Seu Negócio?

Se o alerta da Korn Ferry te mostrou que não aprender IA é um risco que você não pode se dar ao luxo de correr, o próximo passo é acessar as estruturas certas para implementar isso no seu negócio de forma prática e estratégica.

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Criado por Rodrigo Mendes

Rodrigo Mendes

Rodrigo Mendes

Rodrigo Mendes é estrategista de automação e especialista na arquitetura de ecossistemas HighLevel. Com uma visão estratégica forjada no rigor e na escala das operações de empresas multinacionais, ele traz infraestrutura de nível corporativo para negócios digitais. Ao lado de Lucas Dantas, estão construindo o ecossistema da Magnetic Funnels, foca em combinar Inteligência Artificial, agentes autônomos e fluxos avançados de automação de backend para transformar sistemas complexos em máquinas previsíveis de vendas e aquisição.

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